Governança territorial indígena e justiça ambiental:

a PNGATI como parâmetro procedimental de acesso à justiça frente às mudanças climáticas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20814594

Palavras-chave:

PNGATI, Governança territorial indígena, justiça ambiental, democracia participativa intercultural, cosmovisão indigena, mudanças climáticas

Resumo

O artigo analisa a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), instituída pelo Decreto nº 7.747/2012, argumentando que ela vai além de uma diretriz programática para operar como parâmetro jurídico-institucional de validade das decisões ambientais incidentes sobre territórios indígenas. O objetivo é analisar de que modo a articulação entre a PNGATI, a governança territorial indígena e a democracia participativa contribuem para a efetivação do acesso à justiça socioambiental diante da intensificação dos impactos da crise climática sobre os povos indígenas. A tese central defende que a inobservância dos mecanismos participativos previstos na PNGATI compromete tanto a legitimidade democrática dessas decisões quanto a realização da justiça ambiental em sentido material e coletivo. O trabalho discute como a cosmovisão indígena — fundada em uma ontologia relacional, ecocêntrica e territorialmente enraizada — é estruturalmente incompatível com os modelos estatocêntricos e eurocêntricos de governança, gerando déficits de reconhecimento, participação e legitimidade. Nesse sentido, destaca-se o Eixo 2 da PNGATI, que assegura participação indígena ativa nos processos decisórios, deslocando o foco da racionalidade técnico- burocrática para a validade democrática procedimental. O artigo também examina tensões normativas relevantes, como a edição da Lei nº 14.701/2023 (marco temporal), declarada inconstitucional pelo STF em 2025, e os impactos desproporcionais das mudanças climáticas sobre os povos indígenas. Conclui que a efetividade da PNGATI exige não apenas análise de seus instrumentos formais, mas também o exame das condições procedimentais de legitimidade, dos sujeitos participantes e das formas de deliberação adotadas, consolidando a governança como categoria central para a democracia, a justiça ambiental e a justiça climática em contextos indígenas.

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Biografia do Autor

Ricardo Damasceno Moura Antunes, Universidade Federal do Pará

Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP/IFCH). Belém, Pará, Brasil. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Pará. Integrante do 3o Grupo de Pesquisa “Inteligência Artificial e Inclusão” e do Programa de Pesquisa Mudanças Climáticas na Perspectiva dos Brasileiros 2026 do ITS-RIO e membro do Latin American Climate Lawyers Initiative for Mobilizing Action- LACLIMA, Pesquisador com atuação nas áreas de Direito e Tecnologia, Inteligência Artificial, Proteção de Dados Pessoais, Governança Digital e Direitos dos Povos Indígenas. Possui experiência em pesquisa interdisciplinar envolvendo inovação tecnológica, políticas públicas e direitos fundamentais. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5490725272127159. ORCID: 0000-0002-0349-0805. E-mail: ricardomantunes@gmail.com

Guilherme Antonio Balczarek Mucelin, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP)

Doutor e mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com período de doutorado na Universidade Nova de Lisboa.É vice-líder do grupo de pesquisa CNPq DIGICON Consumidor e Mercados Digitais no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio e do Centro de Direito, Internet e Sociedade do IDP, diretor de e-commerce do Brasilcon. Atua como advogado e consultor nas áreas de direito digital, governança de dados e regulação de inteligência artificial. Professor do IDP, Brasília - DF, Brasil. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0660286468584740. ORCID: 0000-0003-3709-6539. E-mail: mucelin27@gmail.com

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Publicado

2026-06-30

Como Citar

Moura Antunes, R. D., & Balczarek Mucelin, G. A. (2026). Governança territorial indígena e justiça ambiental:: a PNGATI como parâmetro procedimental de acesso à justiça frente às mudanças climáticas. Revista De Direito Da Amazônia, 3(1). https://doi.org/10.5281/zenodo.20814594

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